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  • Gustavo Gaiarsa

Michelangelo, gênio do Renascimento


Retrato de Michelangelo, por Daniele da Volterra. Metropolitan Museum of Art, Nova York, NY.

Escultor, pintor, arquiteto e poeta, Michelangelo Buonarroti foi um artista completo do Renascimento, e um de seus maiores gênios. Nascido na cidade de Caprese (província de Arezzo) em 1475, era filho de um fiorentino que na época de seu nascimento era Podestà (governante) de Arezzo.


Aos 12 anos de idade a família de Michelangelo se transfere para as colinas de Settignano, em Florença, onde o artista passa boa parte de sua adolescência. No mesmo ano, em 1487, o jovem Michelangelo torna-se aprendiz no ateliê do pintor Domenico Ghirlandaio, onde realiza durante 3 anos sua formação como pintor.


Em 1490 Michelangelo começa a aprender a esculpir no Jardim de San Marco, uma iniciativa da poderosa família Medici, que mantinha no jardim parte de sua coleção de estátuas antigas gregas e romanas, utilizadas como modelo pelos jovens escultores orientados pelo escultor Bertoldo di Giovanni. É no Jardim de San Marco que Lorenzo o Magnífico, da família Medici, conhece o jovem Michelangelo, decide bancar sua educação e apresentá-lo a personalidades importantes para que o jovem comece a trabalhar.


A morte de Lorenzo o Magnífico em 1492 é um golpe duríssimo para Michelangelo, que vê o fim da época de ouro de Florença e acaba se abrigando no convento de Santo Spirito, onde os padres deixam que ele execute a dissecção de cadáveres para aprender anatomia. A primeira experiência fiorentina de Michelangelo termina em 1494, quando a família Medici é expulsa de Florença pela primeira vez e o artista se refugia em Veneza e depois em Bolonha. Finalmente decide voltar a Florença onde fica até 1496, quando muda-se para Roma, onde permanece até 1501.


O monumental Davi, obra prima do jovem Michelangelo conservado na Galleria dell'Accademia, em Florença

Em 1501 volta a Florença, onde permanece até 1505. Nesse período e esculpe o Davi e o São Mateus (incompleto) que hoje fazem parte da coleção da Galleria dell'Accademia, além de realizar os cartões preparatórios para afrescos que nunca chega a realizar para o Salão dos 500 do Palazzo Vecchio.


Chamado pelo papa Júlio II, Michelangelo vai novamente a Roma em 1505, onde permanece até o ano seguinte, realizando seu primeiro de 6 projetos para o megalomaníaco mausoléu do papa.


Volta a Florença entre 1506 e 1507, quando pinta sua única pintura em suporte móvel conhecida, o Tondo Doni, que hoje é uma das joias da coleção da Uffizi.


Em 1508 Michelangelo é chamado novamente a Roma pelo papa Júlio II, onde permanece até 1516. É nesse período que o artista faz os afrescos que decoram o teto da Capela Sistina, além do Moisés que decora o mausoléu de Júlio II, na Basílica de San Piero in Vincoli, em Roma.


Após esse período romano segue-se um outro período em Florença, entre 1516 e 1534, período durante o qual Michelangelo realiza na maior parte trabalhos de arquitetura, como o projeto (não realizado) para a fachada da Basílica de San Lorenzo, o projeto arquitetônico e as esculturas para a Sacristia Nova, mausoléu onde está enterrado Lorenzo o Magnífico, o projeto da Biblioteca Laurenziana e esculpe O Gênio da Vitória, originalmente para o túmulo de Júlio II, mas que acabou decorando o Salão dos 500 no Palazzo Vecchio.


Em 1534 volta a Roma, onde permanecerá pelos próximos 30 anos, até sua morte em 1564, aos 89 anos de idade. São desse período os afrescos do Juízo Final que decoram a parede dos fundos da Capela Sistina, além dos projetos arquitetônicos para a Praça do Campidoglio, em Roma, para a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano, além das esculturas dos Prisioneiros ou Escravos que deveriam decorar o túmulo de Júlio II mas permanecem inacabados. Após sua morte, muitas das estátuas encontradas incompleta em seu ateliê de Roma são doados por seu sobrinho, Leonardo Buonarroti, a Cosimo I de Medici.


Michelangelo era conhecido por seu gênio forte, era um homem difícil e que não fazia nenhuma questão de ser simpático. Conta-se que uma vez, em Florença, Leonardo da Vinci, que era quase 25 anos mais velho que Michelangelo, o interpelou e perguntou sua opinião sobre determinado verso de Dante. Michelangelo, que via Leonardo como um rival, ao invés de responder a pergunta perguntou a da Vinci como ia a "fusão do cavalo", referindo-se a uma obra monumental de escultura em bronze, encomendada pelo duque de Milão Ludovico o Mouro a Leonardo da Vinci e que o mestre nunca chegou a concluir, pois abandonou Milão no fim do século XV quando a cidade foi conquistada pelo rei Luís XII da França.


Era conhecido também por ser muito avaro, estava sempre vestido com as mesmas roupas e, como os mendigos da época, dormia de botas. Quando seu sobrinho foi reclamar seu corpo em Roma encontrou debaixo da cama um baú cheio de ouro, que Michelangelo havia ganho durante a vida sem nunca ter tido tempo ou interesse em gastar. Foi com esse dinheiro que Leonardo Buonarroti, o sobrinho de Michelangelo, comprou uma casa na Via Ghibelina, em Florença, que atualmente é o Museu Casa Buonarroti, dedicado ao mestre mas onde ele nunca chegou a viver.


Tondo Doni, a única pintura de Michelangelo em suporte móvel, uma joia da Galleria degli Uffizi em Florença.

Para Michelangelo a grande arte era a escultura, que exigia precisão e força física. A pintura sempre ficou em segundo plano, sendo considerada pelo mestre como uma arte menor, tanto que só considerava digna a pintura em afresco, técnica que exige muita velocidade e precisão, pois não permite retoques e é necessário pintar sobre a superfície ainda úmida do gesso para que a tinta penetre na argamassa e permaneça por séculos. É por isso que suas pinturas mais conhecidas são os afrescos da Capela Sistina, a única pintura comprovadamente sua conhecida em um suporte móvel (quadro) é o Tondo Doni da Galleria degli Uffizi em Florença, as outras 3 pinturas em suporte móvel atribuídas a ele são ou atribuições sobre as quais pairam dúvidas ou obras incompletas. Talvez um pouco do desdém que ele havia por Leonardo da Vinci viesse também do fato que Leonardo tinha um método completamente oposto a Michelangelo, repensando e retocando eternamente suas obras, não as considerando nunca como obras acabadas e trabalhando constantemente com tintas e métodos que permitiam retoques, o que para Michelangelo era inconcebível.


O último desejo de Michelangelo era ser enterrado no Pantheon, em Roma, entretanto seu sobrinho Leonardo Buonarroti sequestra seu corpo, seus bens e o traz a Florença, onde o artista é velado por um mês na igreja de Santa Croce. Michelangelo está enterrado em um mausoléu na Basílica de Santa Croce, projetado por um amigo e admirador, o escritor, arquiteto e pintor Giorgio Vasari, que é também uma das fontes mais importantes que temos sobre a vida de Michelangelo, pois escreveu sua biografia em sua obra-prima "As Vidas dos mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos".  


Em Florença temos a felicidade de ter uma infinidade de obras do gênio renascentista, tanto no âmbito da escultura como da arquitetura, além, é claro, do único quadro existente de Michelangelo que citei acima.


Um percurso sobre Michelangelo em Florença pode incluir:


- A Galleria dell'Accademia, onde fica o Davi e outras 6 esculturas dele;

- A Galleria degli Uffizi, onde temos seu único quadro, o Tondo Doni;

- O Museo del Bargello, onde temos 4 obras escultóricas de Michelangelo;

- A Sacristia Nova, nas Capelas Medici, mausoléu de Lorenzo o Magnífico com projeto de arquitetura e esculturas de Michelangelo;

- A Biblioteca Laurenziana, projeto arquitetônico de Michelangelo;

- O Palazzo Vecchio, que conserva O Gênio da Vitória;

- O Museu da Obra do Duomo, que conserva sua Pietà inacabada, feita para seu próprio mausoléu;

- O Museu Casa Buonarroti, que conserva duas esculturas em baixo relevo, desenhos e a maquete que ele fez para a fachada, nunca realizada, da Basílica de San Lorenzo;

- A sacristia da Igreja de Santo Spirito, onde há um crucifixo de madeira que Michelangelo esculpiu como agradecimento aos padres que o acolheram;

- A Basílica de Santa Croce, onde Michelangelo está enterrado.